O endividamento agrícola complica a situação dos produtores rurais, já que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico) não apresentou até o momento soluções para o endividamento do produtor, que vem prorrogando a dívida desde 2005. No início de fevereiro foi feita uma reunião em Brasília com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, os diretores da Aprosoja/MT e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
No evento o BNDES comprometeu buscar uma solução, já que a situação se torna cada dia mais complicada, pois a dívida vem aumentando e os bancos e o governo não prorroga mais o pagamento desde 2009. O advogado Fabiano Ferrari, explicou em entrevista ao Primeira Hora que tem dois anos que não acontece a prorrogação da dívida dos agricultores e que a partir disto os bancos agora está executando as dívidas, que implica o patrimônio do produtor, já que quando foi feita a dívida a terra e os bens foram colocados como garantia.
“O produtor comprou a máquina em 2004 no programa de modernização no campo, o governo ofereceu o financiamento, mas naquele ano a produção despencou, no ano seguinte o governo prorrogou em 100%, pois sabia que não teria condições de pagamento, desde então a dívida vem sendo protelada, e o valor da máquina caiu, mas a dívida aumentou e hoje a maioria não tem condições de pagamento, e os bancos não prorrogam mais”, explicou o advogado.
Esta situação complica o desenvolvimento do setor, já que o produtor tem uma máquina ultrapassada, não tem financiamento para a compra de novas máquinas e a dívida que vem sendo prorrogada por anos, passa a ser muito maior que o valor da máquina. Esta teoria se aplica ao pequeno produtor, o mais prejudicado neste momento. “É preocupante a situação se nenhuma opção for apresentada, porque quando houve a compra o valor da máquina era menor, hoje a mesma máquina vale 5.6% a mais, o que faz o produtor ter uma dívida, muitas vezes, maior que seu próprio patrimônio”, declarou Ferrari.
A Aprosoja vem tentando junto a Brasília a prorrogação dos títulos para que o produtor possa ter condições de pagamento da dívida, e no Congresso foi aprovado o projeto de Fundo Garantidor, mas até o momento não foi aplicado. Os produtores continuam na tentativa de pagamento e aguardando uma posição do Governo a respeito disso.